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terça-feira, 7 de junho de 2016

Nada de Nada

Ao chegar  em casa faço como muitos brasileiros, para não dizer todos, antes de mais nada ligo a televisão e procuro algo interessante para assistir. Geralmente assisto a telejornal, já que o meu trabalho ocupa todo o meu dia e nos poucos momentos de folga prefiro ler um livro, ver outro tipo de mídia, ouvir música ou conversar com algum colega. 
Um dos programas que gosto de assistir é o "Roda Viva", da rede de televisão Cultura. Em 30 anos de duração e com pouca mudança continua um dos melhores do gênero. Os seus entrevistadores e entrevistados são heterogêneo, talvez seja isso o grande sucesso e longevidade do programa. 
Na última segunda-feira, 06 de junho, o entrevistado foi o ministro das Relações Exteriores José Serra.
Fiquei decepcionado com o que ouvi do ministro, ou melhor, do que deixei de ouvir. Resumindo não falou nada, somente se esquivou, fazendo declarações inócuas, sendo realmente um 'bom político', muito bom mesmo. Nunca vi alguém fazer uma política tão boa, como foi a dele com as perguntas que deixaria qualquer mortal morto de vontade de correr. Falou, falou e não disse nada. Saiu pela tangente e não tomou partido nem do próprio partido PSDB.
Afinal, quando alguém de tal magnitude é convidado a fazer declarações esperamos no mínimo algo interessante e não falatório que leva nada a lugar nenhum, também não queremos ouvir especulações vazias fazendo com que todos nos sentimos uns idiotas completos.
Esperava mais, infantilidade da minha parte, o ministro não iria expressar nada que pudesse ir contra sua imagem e os votos futuros.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

QUILHÃO

"Quando um companheiro não atura o outro, intriga-o. Quando um patrão não atura o empregado, despede-o". (João do Rio)

Reunião de emergência.
O desconforto paira no ar.
Todos os presentes olham o interlocutor com olhos cobiçosos, tentando adivinhar a chuva de raios e trovões que se avizinha.
Ao começar o 'discurso da montanha' todos se entreolham e nesse momento não precisa de palavras para saber o que cada um estão pensando. E não preciso dizer que todos estavam de comum acordo.

Administrar conflitos no local de trabalho não é tarefa fácil, a balança não pode pender para nenhum dos lados, a imparcialidade deve ser a tônica para o fim da contenda.
Não existe inocentes em ambos os lados, as vítimas nem sempre é a pobre coitadinha como faz-se acreditar. Cada um tem 'culpa no cartório'. 
Quem preside a reunião bem sabe disso e fica na 'corda bamba, Tenta com a 'toques de dedos' expor os prós e contras do comportamento dos envolvidos e entender melhor a reclamação da vítima.
Muito diz que diz e o resultado é sempre o mesmo: dedos são apontados na cara dos presentes e num arroubo sebastianista tupiniquim faz a paz reinar, salvando a pátria, tentando disfarçar que o 'rabo' a ser salvo é de quem esbraveja. 
Qualquer palavra mais áspera pode desencadear reação inesperada e por tudo a perder, então façamos o seguinte - fingimos que 'foi sério' e assim colocamos uma pedra em cima do assunto! E todos saímos ganhando. Os empregos serão preservados e os empregadores permanecem com seus comandados. Já que os mais competentes tem 'gênio do cão', seja pela auto-confiança de sua capacidade ou pelo prestígio que conquistou ao longo dos anos pelo servilismo obtuso.
Afinal, tem que ter quilhão para suportar e fazer-se de desentendido para não mandar enfiar no rabo todo o discurso barato e cheio de incoerências que leva 'nada a lugar nenhum'.
Verdadeira perda de tempo, afinal cada um tem seu quinhão e nada do que foi discursado passou do 'dito pelo não dito'. Bem sabemos o que fala sentado não se confirma de pé e assim vamos vivendo com um falso respeito de ambas as partes. 


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Estupro Coletivo da Sociedade

Infelizmente desde que me conheço por 'gente' vejo noticiado o mar de lamas que é a política no Brasil e dos filhos dessa 'mãe gentil'. 
Crimes hediondos não é invenção nova, temos casos horríveis na história desse velho Brasil, desde a conquista desse continente ocorreram massacres dos 'gentis' que aqui viviam e na atualidades dos presídios estão lotados com os mais variados criminosos e seus crimes.
Alguns chegam a causar repulsa quando noticiado, tais como parricídios, infanticídios, maus-tratos a incapazes e um que causa estranheza na atualidade - o estupro.
Essa estranheza se dá pela facilidade com que todos hoje tem em conhecer alguém e ter um relacionamento, mesmo que efêmero. Não conheço um homem sequer que nunca tenha ido a um lupanar ou no bom e velho português -   'PUTEIRO'.
Uma jovem de apenas 16 anos foi vítima de estupro coletivo praticado por 'uns trinta marmanjos' armados numa favela. 
Essa notícia parece ser tirada num dos livros do escritor Nelson Rodrigues, em uma época que o moralismo era bem diferente do que vivemos na atualidade, as moças em sua maioria casavam virgens e os homens diferenciavam mulheres 'perdidas' das 'que eram pra casar'.
No livro "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária" a personagem principal paga por uma curra, mas em seu delírio de escritor não chegou a tamanha barbárie como foi noticiado com essa jovem de 16 anos.
Li o livro, vi a peça e os filmes baseado nessa obra do Nelson Rodrigues e somente na última adaptação é que temos algo parecido com o que aconteceu. 
Talvez a incapacidade de discernimento e respeito pelo próximo está fazendo com haja um retrocesso a mais bestialidade possível. 
Esses pilantras não cometeram um crime covarde somente com essa moça, todos de uma maneira nos sentimos currados também, seja, pela violência física, da falta de caráter ou da compaixão que deveriam sentir, só pelo fato de ter saído de dentro de uma mulher, mesmo sendo uns verdadeiros 'filhos da puta' .
Respeito é bom e todos necessitamos ser respeitados... 

   

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sexta-Feria 13

Semana turbulenta e para os mais crentes a sexta-feita ainda tinha ser 13, considerada de azar para muitos, ou como li: - O azar não está na sexta-feira ser 13, e sim ser 13 nas urnas.
Só que essa semana não foi exatamente uma semana 13, qual número do Partido dos Trabalhadores. Foi exatamente o contrário, a então presidente da República fora afastada e seu vice assumiu interinamente. 
Sei que é prematuro deixar alguma opinião a respeito disso, só que tenho cá por mim  que agora vai melhorar, não pelo novo poder instalado, que acredito que não difere muito do que foi afastado, o fato é que agora percebe-se que o novo comandante tem a boa vontade da tripulação. E como diz num ditado popular: "Quer conseguir um amigo, ache um inimigo em comum", e todos tem a presidente afastada como esse pária a ser combatido a qualquer maneira.
Ao conversar com amigos e andar pela cidade vejo o descontentamento geral pela desorganização que impera. Desde a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder sinto uma certa desorganização geral. Muitos com interesses escusos tem se aproveitado de um governo popular/ populacho para aprontar das suas,  tais como invasões e desorganização de todo tipo. Basta andar pelas ruas e ver a quantidade de trabalhadores ambulantes clandestinos, invasões de prédios, sujeira, assaltos e todo tipo de expertise.
Agora quem sabe teremos um governo que realmente vai governar e colocar ordem na casa, colocando essas corjas no seu devido lugar e fazendo o Brasil sair da crise e quem sabe voltar a crescer, e para ser otimista, a tão sonhada reforma política. Só nos resta esperar dias melhores e que essa maré de azar termine nesse dia 13 junto com o governo que está suspenso.

Fingimento

"Tu fingistes que me amastes
Eu fingi que acreditei.
Foste tu que me enganastes
Ou fui eu que te enganei?"

No início da década de noventa tínhamos uma pequena mania quando findava o ano, alguns alunos compravam cadernos e pedia para os amigos escreverem alguma mensagem ou simplesmente colocasse sua assinatura, e depois esse caderno era guardado e com o tempo acabava se perdendo ou sendo jogado fora.
Não recordo se no final de 1991 ou 1992 segui o modismo da época e comprei um caderno também e pedi alguns alunos e professores que deixassem uma mensagem e uma mensagem dessa guardei de cabeça. Uma garota chamada Rose escreveu o pequeno poema. Ao lê-lo quis saber o porquê havia escrito isso. Ela respondeu que escreveu qualquer coisa.
Passado várias décadas esse pequeno poema nunca foi esquecido e uma simples pesquisa encontrei-o impresso num Almanaque do ano 1949.
Ainda esse pequeno poema me seduz, seja pela matreirice ou singeleza de suas palavras.
Uma coisa ainda é certo, esse pequeno poema ainda conduz minha vida, muitas vezes finjo e me deixo enganar, seja para agradar ou para me agradar. Infelizmente, muitas pessoas não partilha dessa visão e sem ter a menor educação ou percepção que o fingimento não é para causar sofrimento faz o inverso, investiga, causa sofrimento e não tem a menor educação de fingir também. Nem sempre a verdade nua e crua é redentora, cada pessoa tem o direito a ser individual e compartilhar sua história, alegrias e sofrimentos  com quem lhe aprouver.
Muitas vezes fingi que acreditei e fingistes também e não me arrependo de nenhuma decisão tomada porque sei que foi para proteger 'por amor', como na boa e velha bel canção "Codinome Beija-Flor".

domingo, 8 de maio de 2016

Anotação avulsa

Procurando algumas livros encontrei um que havia lido a muito tempo atrás, "Ozualdo Candeias - Pedras e Sonhos no Cineboca", de Moura Reis. Já havia assistido a quase todos filmes desse diretor e quando a Imprensa Oficial lançou a Coleção Aplauso Cinema Brasil para resgatar a memória destes personagens que fizeram a história das artes no Brasil, li diversos livros e este ficou jogado a um canto. E dias desses procurando dois livros do Fernando Sabino encontrei esse do Ozualdo Candeias e ao folhear encontrei uma anotação a lápis que havia feito na época que tinha lido o livro.

Anotação avulsa

Marizete era  baixinha, cabelos ruim, igual a seu gênio como diziam, sempre que apontavam para ela era com um risinho no canto da boca: - Ela têm o capeta no corpo.
O que lhe falta em altura sobra em braveza. E por aí à fora não faltava comentários.
Os colegas de trabalho da Marizete resolveram 'armar um churras' na casa de uma colega, a Valnete, branca como leite, dona de um par de coxas que mal cabia no par de calças do uniforme. Todos sabiam que Valnete fazia milagre para acondicionar tudo o que tinha em tão pouco pano.
O 'churras' estava animado e todos entornando suas 'brejas' goela abaixo e o pagode comendo solto.
Pagode de pobre termina invariavelmente em convulsão, pancadaria e vez ou outra no departamento de polícia. No animado balança-esqueleto não fugiu à regra, lá pelas tantas todos com o cu cheio de cachaça começa a troça geral e uma das vítimas foi exatamente 'o pequeno demônio'. Marizete não leva desaforo pra casa e desce do salto e a mão na cara de uma das popozudas de plantão, a Raimunda.
Confusão armada, Raimunda que já havia se encrencado com Marizete em outros tempos por causa de um motoboy que prestava serviço na empresa, não deixou por menos, agarrou pelos cabelos que Marizete levara horas alisando, entre tapas, arranhões e unhadas as duas rolaram pelo chão.
Ninguém se metia na confusão das duas colegas, homens presentes não se atrevia a separar as duas e as mulheres gritavam, também nada fazendo. O pequeno capiroto cresceu e mostrou suas garras, lanhando a cara da Raimunda e dando sopapos orelhas a torto e a direito.
Enquanto o tempo fechava, Valdete não perdeu tempo e se atracou com o marido da pequena Marizete num quartinho insalubre e fez o serviço completo não economizado nada. barba-cabelo-bigode e pentelhos.

Mais algumas palavras escritas de forma ilegível e fim. Não recordo de ter escrito isso, mesmo sendo a minha letra, e também não recordo qual parte do livro ou qualquer episódio tenha me inspirado a escrever isso.

Pequenas obscenidades II

Soldado do Exército

Não só nos bancos escolares aprontávamos todas à custas de boas gargalhadas, com o passar dos anos fatos e mais fatos contribuíram para boas gargalhadas.
Durante o período do Exército teve diversas histórias impagáveis, uma dessa era de um soldado que ao se arrumar ficava alisando a calça em frente ao espelho, mas o problema não era essa vaidade desmedida, era que a parte alisada. Virava de costa e alisava a região glútea várias vezes e sempre passava algum militar e dizia: - Esse cara fica no espelho olhando pra bunda e batendo 'punhenta ' pensando ai se eu te pego! ou ainda diziam: - Feia, mas gostosa. No que outro sacanamente perguntava: - Quem? Sua bunda!

Namoro de Fim de Semana

Uma colega de trabalho certa vez peguntou matreiramente se o meu final de semana havia sido bom, se tinha namorado muito.
Sacanamente respondi: - Mais do que queria e menos do que devia! 
A pobre garota perdeu as estribeiras e fechou a cara o resto da semana, talvez o marido da pobre garota havia feito o mesmo.

Essa garota gostava de fazer perguntas desconcertantes, no que respondia da mesma maneira. Outra vez me perguntou como fazia manter o peso.
Respondi maliciosamente:
- Têm três coisas que faz a pessoa pode fazer para emagrecer: regime, exercício e sexo. 
Ela: - Você engordou nos últimos tempos!
- É que não fazemos tudo isso sempre...

Mandioca

Trabalhar com certas pessoas é de embrulhar o estômago, de amargar mesmo , uma dessas pessoas é uma mulher solteirona que infelizmente tenho contato direto. Vez ou outra os ânimos se exaltam e é necessário respirar fundo para não perder as estribeiras.
Não tenho primazia de seus humores, um outro rapaz perde a paciência constantemente com ela. E após uma sessão de impropérios, o rapaz perdeu a compostura e disse nervoso:
- Mina, vou te dar uma mandioca! 
A solteirona quase caiu pra trás e não perdi a deixa, desse dia em diante sempre o chamo de 'feirante'

Essa mesma mulher em um de seus arroubos colocou seu nome na cadeira para que ninguém sentasse ,no que todos olharam e ficaram de cara de bobo sem entender nada, no que lembrei das molecagens do tempo da escola quando desenhavam obscenidades nas cadeiras. Quem sabe se desenhasse uma daquela figura ninguém sentasse em sua cadeira.
Outra colega rindo respondeu: - Engano seu, tem muita gente que vai querer sentar sim!