Lendo o capitulo VIII – Bichos, do livro do Sr. Carlos Lodi, 'Reminiscências – crônicas Manauenses', fez-me recordar como é bom ter um amiguinho de estimação. Tive alguns durante minha existência, cachorros, galináceos e chinchilas. Todos amei muito e quando morreram chorei como um bebezão.
Quando criança, ganhei de presente um cachorro, o Duque, mistura de pastor alemão com pastor lobo, lindo, grande e todo amarelo, menos o focinho, de uma inteligencia sem igual. Ele tinha verdadeira adoração por todos em casa. Mas sempre me considerou o seu dono. Quando o ganhei tinha pouco mais de um ano de vida, então cresci junto com ele, como dois grandes amigos ou mais ainda, como bons irmãos.
Contam que nessa época montava no dorso dele, colocava meu pé na boca dele, dormia ao lado dele e éramos dois grandes amigos. Tanto que toda a vida dele ficamos juntos, mesmo quando meu pai teve que viajar para Rondônia, resolveu levá-lo também, o que aconteceu com a estadia meses depois em Minas Gerais na casa dos meus avôs. Onde íamos ele estava junto.
Sua alegria era vibrante, quando saiamos de casa e ao retornamos ele quase derrubava o portão de tanto sacolejá-lo, e quando entravamos em casa não tinha jeito, levávamos uma surra com o rabo dele, mas a alegria dele era tamanha, que só vendo.
Era muito esperto, e dava cada salto enorme, jogávamos osso ou qualquer petisco e ele saia do chão, bem alto mesmo. Durante doze anos foi meu grande amigo, sempre que podia vinha até minha cama acordar-me com uma lambida no rosto só para poder receber em troca cafuné que ele tanto gostava. Era um moleirão, uma criança, um amigão, que quando precisava defendia a casa e seus habitantes. Não foi uma, foi várias mordidas em pessoas que de alguma maneira ou outra foi desonesta.
Mas, como tudo que é bom dura pouco, ele se foi, deixando muitas saudades e lembranças boas.
Outros animais de estimação que tive foi um bichinho que fiquei encantado assim que os vi pela primeira vez, na época tinha seis anos de idade, e estava em Minas na casa da minha tia, quando vi um frango que minha tia iria matar, quando comentei 'olha tia, como é lindo o olho dele', minha tia ficou tão enternecida com isso que me presenteou com um casal de galináceo 'garnizé'. Desde então passei a ter mais uns amigos de estimação. Sempre que morriam ganhava outros, e todos tinham o mesmo nome, das galinhas eram sempre Titita e dos galos Chiquinho, foram vários, lembro-me de quase todos. Uma das Tititas tinha a crista tombadinha e era minha preferida, a mais bonita de todas.
Outra toda branquinha certa vez vindo do colégio gritei no portão de casa – mãe – ela veio correndo, se entendia o significado da palavra não sei, mas o fato de conhecer minha voz e vim correndo foi a maior alegria que tenho até hoje.
Já o último amiguinho que tive foi um que certa vez vi num pet-shop e fiquei encantado, uma mistura de coelho com rato, ou qualquer coisa do gênero, anotei o nome da espécie na minha mão, chinchila. Um sentimento esquisito se apoderou de mim, ao mesmo tempo rejeitava aquela criatura estranha, mas sentia-me enternecido de vê-lo comendo com as mãozinhas junto à boca.
Muitos anos depois comprei um, nunca dei um nome para ele, sempre o chamava de chinchila ou alguma forma carinhosa, ele era uma tentação que só vendo, tudo ao redor dele ficava destruído, roía tudo, os fios da máquina de lavar roupa, cds, livros, o que estivesse ao seu alcance.
Quando morreu chorei e chorei muito, como acontece com todos meus amiguinhos.
Resolvi comprar outra chinchila, mas desta vez não aconteceu a mágica que ocorrerá com os demais, a personalidade distante desse novo amiguinho não me cativou e também não deixou-se cativar, o tempo que ele permaneceu comigo foi diferente de todos os demais.
Como os demais também trouxe alegria a esse velho coração, com sua personalidade, sua maneira resmunguenta e desconfiada ele conseguiu demonstrar ser um amiguinho e tanto, deixando eu acariciá-lo por alguns minutos somente.
Todos foram de grande importância, pois lembro-me de cada um deles com recordações boas, e dizem que quando vamos morrer nossos animais de estimação vem nos acompanhar, se isso for verdade espero que venha todos, pois tenha muitas saudades de todos.
domingo, 20 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
IGNORÂNCIA E MEDIOCRIDADE

Torcer pelo Brasil nessa Copa de Futebol é o que se espera de todos os brasileiros. Não sou diferente dos demais, torço pelo Brasil, mas se perder não vou sofrer e muito menos ficar decepcionado. Meu amor pela pátria não é menos, também não considero patriotismo torcer por futebol na Copa, seria um 'Policarpo Quaresma'. Desnecessário!
Mais desnecessário é a quantidade de comerciais de televisão ridicularizando os argentinos, como se falar mal dos argentinos ou futebol praticados por eles faz com que nós brasileiros sermos melhores.
Não acredito em nada disso, a tal rivalidade com os 'irmãos platinos', nada me diz, outra rivalidade idiota criada por meia dúzia de imbecis, entre paulistas e cariocas, é de uma pobreza de espírito, caráter e moral, sim, pobreza geral, somente alguém muito pobre dessa forma pode incentivar por qualquer motivo essa rivalidade sem sentido.
Gosto do bom futebol, uma boa partida é algo espetacular, bom de se ver e faz bem aos sentidos. Claro que tenho minhas preferencias, gosto do Corinthians, fico chateado quando perde, também fico quando vejo uma partida muito ruim. E não é por torcer pelo Timão é que sou estúpido por achá-lo o melhor do mundo ou que todas as partidas que ele participa tem que ser vitorioso, seria bom se fosse assim!, mas sou pela competência e não pelo passionalismo infantil.
Vou torcer para o Brasil ver o vitorioso na Copa, caso a Argentina for a campeã ficarei feliz também, porque com certeza o campeão merecerá, pois fez por merecer, espero. E, também pela arrogância tupiniquim.
Ao escrever essa crônica, estou acompanhando o jornal na televisão e ouvindo cada besteira dita sobre o povo e futebol argentino, e para minha alegria na hora do intervalo, um comercial de cerveja onde retratam os argentinos como pessoas esquisitas e com um corte de cabelo 'década de 80' fora de moda. Mas, para alegria dos argentinos e dor de cotovelo dos brazucas hoje a seleção da Argentina, comandada pelo craque Diego Maradona saiu vitoriosa contra a Nigéria, 1 a 0.
Na próxima terça-feira, 15/06, a Seleção Brasileira vai estrear na copa, espero que saia vitoriosa, se ocorrer o contrário seria uma piada de mal gosto para os 'melhores do mundo'.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
CONHECENDO NOVOS ESCRITORES
Já escrevi que não fui um bom escritor nos velhos tempos de colégio, também os temas não era nada agradável, escrever sobre as férias, primavera, ou qualquer outra nulidade me deixava de cabelo em pé, sem contar com os erros de português que persistem até hoje.
Já ler não, sempre foi um prazer, li dos clássicos aos poucos recomendáveis, e como leitor acabei adquirindo o habito de ir aos sebos para garimpar livros fora de catálogo, encontrei livros muitos bons. Um desses que encontrei por acaso, foi de um escritor não conhecido do grande público, o que é uma pena!, pois escreve muito bem, o Sr. Carlos Lodi. "Campinas, São Gotardo e muitas Histórias" é de uma graça, que só 'os marinheiros de primeira viagem' possui, a leveza do texto, a familiaridade como descreve os 'causos' é de uma beleza pura e madura.
Com tantos anos de leitura, acabei criando 'olho clínico' para o que é bom e o que é ruim, e textos bons são aqueles que quando terminamos de ler fica o gostinho de quero mais, e os livros do Sr. Carlos Lodi é assim, 'livre, leve e solto', sem compromisso com a estética dos textos complicados, que geralmente são valorizados como sendo o ápice da intelectualidade.
Agora, estou lendo outro livro dele, "Reminiscências - crônicas manauenses", um encanto, bem mais pessoal, onde relembra amigos, volta a contar 'causos' de família e muitas lembranças, resgatando um pedaço do Brasil, que agora não pertence somente a ele, agora a todos que tem o prazer e previlégio de ler os livros.
Mas, como tudo que é bom tem prazo de validade, 'livros tem páginas de validade', depois que chegamos a última página nos resta procurar novos Carlos Lodi, em sebos, livrarias, bibliotecas, para descobrir novas páginas de bons textos.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
ONDE ANDARÁ II?

Não sei o que nos leva a gostar de certos atores e atrizes. Quando esses tem fama o suficiente é fácil gostar, pois consegue os melhores papéis do cinema ou televisão.
Tem alguns que me chamaram atenção, tais como o Sílvio Júnior, que já escrevi a respeito dele, outros mais antigos me desperta a curiosidade. Um brasileiro chamado Fábio Cardoso, ator da década de 50 e também Miro Cerni. Uma pena que há pouca coisa a respeito deles na internet. Outro ator que sempre me despertou a curiosidade é um norte-americano Kerwin Mathews, falecido em 2007, famoso na décade de 50 e 60, pelo Sinbad e Gulliver, seus melhores papéis no cinema.
Já atores como Rock Hudson e Cary Grant, por ter sido estrelas do cinema americano já conheço bem a vida deles.
Sempre me interesso pelos menos conhecimentos, já que torna um desafio descobrir o paradeiro deles, no caso Kerwin Mathews, Rock Hudson, Cary Grant, Miro Cerni, todos já falecidos, mas o que gostaria de saber é dos vivos e também de detalhes dos demais.
Sei que não passa de cultura do desnecessário, mas cada louco tem uma mania, a minha é essa, gostar de saber o paradeiro de certos atores de outrora.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O QUE VOCÊ DIZ É VERDADE?

Gostaria realmente de saber quem é idiota o suficiente de ser réu confesso nos dias atuais?
Creio que somente os muito idiotas, ou se for inegavelmente inegável, mesmo assim negar é o caminho mais seguro, por exemplo os Nardoni, se eles confessam o crime será sujeito a pena que cabe, mas ao contrário vai recorrer sempre negando a autoria, nisto vai conquistando os à favor e os contras, ou seja, a dúvida é uma das melhores coisas que existe.
Livros, filmes, contos se baseiam nisso, que o diga o velho e bom Machado de Assis, assim nasceu o grande clássico da literatura “Dom Casmurro”, que é permeado pela dúvida do início ao fim e é cantado e prosado mais de 100 anos depois de sua publicação.
Um conto do Machado de Assis, “Suje-se gordo”, além da dúvida fala a respeito de negar até o fim, outro escritor brasileiro Nelson Rodrigues dizia que o 'homem até de cuecas, ainda tem uma explicação”, ou seja, negar gera dúvida, e assim gera impunidade.
Não escrevo isso para provar que conheço os autores brasileiros e tão pouco que estou à par dos noticiários atuais, nada disso, o fato é que aconteceu um fato pitoresco no local de trabalho,uma falsificação aparentemente sem importância, mas que por trás existia um contrato. Começou caça as bruxas, não preciso nem dizer que a situação ficou tensa e muito menos que a ética foi jogada pela janela. Em busca da verdade foi utilizado o terror psicológico, qual trabalhador não tem medo de ficar desempregado, sutilmente foi sugerido a delação, e como nenhuma dessas artimanhas psicológicas surgiram efeitos foi apelado para auto-delação, também não surtiu efeito. Nada adiantou prometer que nada iria acontecer, pois com certeza a falsificação teria uma explicação plausível ou no mínimo inocente, e tudo seria resolvendo apesar do mal que havia causado, serviria de lição para evitar erros futuros(?).
Não acredito em nada disso, como alguém que não teve um mínimo de pudor para falsificar, seja lá qual for o motivo, vai ter consciência em se auto delatar, só porque outras pessoas sairiam prejudicadas?, pouco provável.
E além do mais, cedo ou mais tarde será demitida, e antes o respeito dos colegas deixaria de existir, e qualquer erro seria o primeiro a ser apontado, sem contar que qualquer promoção seria preterido, ou seja sua permanência no local de trabalho seria inviável.
O que mais me espanta é ainda terem pessoas que acreditam na inocência e bom caráter alheio, pelo visto não tem o habito da leitura e não conhece uma frase do Machado de Assis “Mais forte que o amor materno, é o amor próprio”.
domingo, 4 de abril de 2010
OFENSAS AO DIZERES

Poucas coisas me ofendem, e isso sempre foi assim, quando criança não era diferente.
Algumas delas são a mentira e a falta de educação, de respeito, etc.
Parece velho chavão escrever isso, todos concordam de uma forma ou outra.
Não acho que a mentira seja um grande mal, todos de uma forma ou outra já mentiu, mas o ruim é quando ela vem acompanhada de falta de respeito, educação, …
No dia a dia, sempre presto atenção como as pessoas ficam ofendidas quando a realidade é dita, geralmente tem-se que suavizar a realidade com uma mentira confortadora, como se isso fosse menos doloroso aceitar a vida como ela é.
A realidade não me ofende um milimetro, até gosto de pessoas com senso de realismo aguçado, mas gosto muito mais dos que tem educação o suficiente para ter discrição e não fazer desse realismo algo intragável, devemos sempre lembrar que o remédio faz bem a saúde, mas teu gosto é amargo, então pra que despejar o vidro inteiro goela abaixo das pessoas, não seria mais saudável dar em doses.
Vejo todos os dias pessoas em busca da Terra do Nunca, desejando esconder os problemas em baixo do tapete, e não conseguindo começam a apontar defeitos alheios, como se dessa forma fosse possível extirpar ou atenuar os próprios problemas.
Ledo engano, nada pode ser pior que cuidar da vida alheia, geralmente quem faz isso deixa de cuidar da própria vida, e o que estava ruim vai piorar.
Sou tido como esquisito, doido, metido a besta, arrogante ou no melhor dos comentário, 'antes de conhecer você achava que você era diferente'. Mas diferente em quê?
Não entendo a colocação das pessoas, o único motivo de ser diferente é que geralmente não participo de algo que não me interessa, tenho outros interesses, leio,escrevo, vejo filmes entre outras coisas. Diga-se de passagem que muitos acham intediante.
Gosto de estar só, numa meditação descompromissada, não tenho a necessidade de estar rodeado o tempo todo para ser feliz, ficando só evito ouvir e dizer o que não convém, não que meu estilo de vida seja baseado em medo de ser inconviniente. Como já disse, dizer ou ouvir a realidade não me ofende, o que ofende é como ela é dita.
A diversas maneiras de dizer algo a alguém, olhar, gestos, palavras, silêncio e muitas dessas ofendem e para evitar ofensas desnecessários fico onde serei respeitado e onde o que é real está por todos os lados: minha família, um lugar onde a mentira felizmente e fraca, a realidade forte e a educação o sinalizador da boa convivencia.
ALÉM TÚMULO

Chico Xavier é um personagem singular no mundo religioso, mesmo tendo passado alguns anos de sua morte, ainda consegue despertar o interesse das pessoas. Com o filme do diretor Daniel Filho, uma ótima adaptação, com excelentes atores, o filme mostrou que é possível fazer uma obra de qualidade com parcos recursos. Filmes de época sempre é difícil, reconstituir um período não é coisa fácil, e o diretor fez bonito.
Uma coisa me chamou atenção, ao terminar o filme uma coisa inédita, que nunca tinha visto nesses anos de ida aos cinemas, principalmente quando o filme é brasileiro, o público ficou até o fim e em silêncio, saiu do cinema como se estivesse saído de uma sessão espírita presidida pelo próprio Chico Xavier, foi bonito de ver o respeito que o Francisco Cândido Xavier desperta nas pessoas, mesmo tendo desencarnado há alguns anos.
Daniel Filho sempre soube que um filme sobre Chico Xavier seria um tiro de bilheteria, pois o Brasil é o país mais adepto ao Kardecismo, isso é evidente na quantidade de livros espíritas que é lançado e vendido, Zíbia Gasparetto é um fenômeno de vendas.
Bezerra de Menezes – Diário de um Espírita, foi um filme modesto, teve boa bilheteria, a velha e famosa “boca-à-boca”, conseguiu atrair o público para ver o filme nos cinemas. Antes o filme Joelma, 23° Andar, de 1979, foi bem recebido pelo público do Sudeste brasileiro, uma adaptação do livro “Somos Seis”, de Chico Xavier e é considerado o primeiro filme espírita do mundo, claro que Hollywood fez filmes onde havia espíritos, tais como Topper – Um Casal do Outro Mundo, Um Espírito Baixou em Mim, mas um filme baseado em psicografia foi o primeiro.
Em breve será lançado uma nova psicografia do Chico Xavier, clássico “Nosso Lar”, um campeão de vendagem, que li e gostei muito.
Independente do cunho religioso, o que vale é a mensagem de 'paz e amor', como sempre proclamou Chico Xavier e são filmes que não ofendem a inteligência e moral de ninguém, pode não se acreditar nos dogmas religioso, mas ficar indiferente a bandeira branca levantada em dias difíceis, seria compactuar com a falta de amor e o fanatismo cego e sem sentido.
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