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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Memórias Desenterradas ou O Ser Onírico



In memoriam Mário Peixoto
Poucos são os livros que me faz lê-los aos poucos, cada capítulo como se fosse um novo livro, não pela falta de continuidade, mas pelo ato do prazer de sorver cada palavras e sensações provocadas pela maestria dos seus autores. Um desses poucos livros é "O Inútil de Cada Um - Itamar", de Mário Peixoto. 
A cada capítulo crio novos capítulos internos e revivo outras vidas, de um tempo em que era vivo e tinha sonhos. Em especial no capítulo 11 "O Ruido persegue - Íncubo", logo na abertura tenho um choque ao ler 'O único prolongamento que continua os seres - e se assim mesmo a isto podemos chamar - é outro ser!
Com essa introdução fez-me voltar no tempo e sentir uma tristeza por não mais poder sonhar com a imortalidade, mesmo o sangue ainda pulsando na veia, onde a matriz da vida não pode processar mais vidas, somente morte e destruição.  
Gerações se encerra num sonho que findou sem a insofismável seiva da vida, sem carne, sem nome, que ao apoiar em meu ombro ombro nenhum, sinto o peso em meus que nunca há de cessar enquanto a campa não fizer repousar.
Instantes latentes volta a assaltar em perfume, flashes, reminiscências toscas de um passado que ainda vive tal como no capítulo sem nexo do presente e do passado.
Trago no peito lembranças do passado, os segredos que sei de cor tão sepultado junto aos cacos de um sonho que não se concretizou.
Nada disso me entristece, aceito, ou melhor não luto contra o luto que assolou minha alma. Parece lúgubre tal capítulo, não o é - creiam me, pelo contrário, emana vida, vida de outrora, sonhos insepultos que nos faz reviver a vida enquanto havia vida.
Leio cada palavra, conexão do instantâneo que preenche o tempo contendo o futuro, com salutar e verídica amargor de apenas o ser.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Final de semana no Rio de Janeiro

Mirante Dona Marta com o "tal guia"
Aproveitando o feriado do aniversário de São Paulo, Eu e minha família fomos ao Rio de Janeiro. No dia 23, chegamos à cidade e resolvemos ir ao Corcovado, como todos os turistas, e para nossa decepção ocorreram alguns “contratempos”. Fomos de carro, logo na subida fomos abordados por um grupo de rapazes trajando camiseta vermelha e com crachá pendurado no pescoço, fomos informados que estava proibido a subida de carro particular desde 2007 e que só poderia se fosse guiado por um deles até o ponto chamado Paineiras. Até aí nada demais, o problema é que fomos obrigados a pagar 23 reais por pessoa que estava no carro e quando confrontamos o “tal guia” ele disse que realmente não era proibido, mas não precisaríamos pegar a fila maior, podendo usar uma ao lado, indo direto ao caixa (algo muito estranho essa prioridade). Depois que o guia recebeu de minha família 110 reais foi embora dizendo que o dinheiro era para ser dividido entre os outros “guias” da ONG da qual ele fazia parte. Não nos deu nenhum recibo, sumindo logo em seguida.
Mas o pior não foi somente se sentir coagido ao ter o carro interceptado por “esses guias”, o local chamado Palmeiras Corcovado foi de uma experiência terrível, minha mãe passando mal pelo calor, não tinha a menor condição de permanecer na fila para ir até o topo do Corcovado, então começou a tortura maior, para sair da fila, um local sujo, sem portas de saída de emergência e nenhum segurança ou controlador de acesso para ajudar as pessoas que estavam na fila aguardando as vans. Com muitas dificuldades conseguimos sair da fila, desistindo de ver o Cristo Redentor de perto.

Gostaria de protestar contra a extorsão que sofremos desses “tal guias”(ONG) e pela falta de recibo do “serviço prestado” e pela falta  de condições da instalação do ponto Paineiras Corcovado, um prédio sem nenhuma segurança (principalmente por não ter nenhuma saída de emergência).

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Abílio Pereira de Almeida Em Moral


Há praticamente cinco anos escrevi uma crônica a respeito do autor e advogado Abílio Pereira de Almeida e citava que conhecia quase nada a respeito dele. Um dia andando pelo centro de São Paulo entrei na livraria da Imprensa Oficial e encontrei um livro que me fez abrir um sorriso e orelha à orelha como diz em casa. Era uma compilação de três obras do Abílio Pereira de Almeida e com introdução de Ceiça Campos e sua filha Maiza, filha e sobrinha faz um breve relato da vida e obra desse grande e esquecido autor. Fiquei feliz em poder ler três de suas peças, ‘Paiol Velho’, ‘Santa Marta Fabril S/A’ e ‘...Em Moeda Corrente do País’ e como já havia escrito o mote da moral está vivamente presente em todas.

Já havia comprado esse livro a algum tempo e deixado aguardando um momento para poder lê-lo e com a morte da atriz Maria Della Costa lembrei do filme que ela trabalhou ‘Moral em Concordata’ baseado nos escritos do Abílio e resolvi ler o livro. E com a morte da atriz Odete Lara assisti o filmes que tenho em DVD ‘Dona Violante Mirante’, ‘Sonhando com Milhões’ e ‘Terra é Sempre Terra’ todos baseado na obra do Abílio Pereira de Almeida.

Apesar desse livro lançado e dos filmes as obras desse escritor ainda sofre uma redescoberta, talvez sofre de novos lançamentos de suas peças para que novos leitores possa ter contato e novas adaptações possam ocorrer, enquanto isso vou ler e reler ‘O teatro de Abílio Pereira de Almeida’, da Coleção Aplauso Teatro Brasil da Imprensa Oficial e assistir aos filmes baseados em suas peças.

 

 

ODETE LARA


Escrever qualquer coisa sobre a atriz Odete Lara chega a ser redundância, falar de suas qualidades de atriz, escritora não é novidade para ninguém. Há muito tempo que admiro os filmes que ela atuou e os livros que escreveu, li as biografias, ‘Eu Nua’, ‘Minha Jornada Interior’, ‘Meus Passos em Busca da Paz’ e 'Vazios e Plenitudes - Reflexões e Memórias', cada uma de maneira particular.

De todos os filmes que atuou sempre fiquei admirado com sua participação no filme ‘Arara Vermelha’, de 1957 sob direção de Tom Payne.  É um dos primeiros da sua extensa filmografia e por algum motivo qualquer quase nunca citado, mas a presença de Odete Lara e Anselmo Duarte cria uma certa aura sofisticada ao filme. Os filmes ‘Noite Vazia’ e ‘Boca de Ouro’ dispensam comentários, já nasceram ótimos e sua interpretação em ambos condiz com tudo que já conhecemos. Há também outros filmes que atuou que também admiro como o filme ‘Câncer’ do Glauber Rocha ou ‘O Princípio do Prazer’ do Luiz Carlos Lacerda, mais pela estética do filme que sua participação em ambos.

As biografias cada uma me vez vê-la de maneira diferente, a primeira de todas ‘Eu Nua’ me pareceu estar lendo mais o diário de uma pessoa desconhecida do que propriamente uma biografia de uma artista conhecida. Já no segundo livro ‘Minha Jornada Interior’ ficou mais focado nas descobertas e benefícios do Budismo em sua vida, já senti uma certa leveza na escrita. 'Meus Passos em Busca da Paz' uma continuação do anterior só que de maneira suave, percebe-se que a atriz alcançou o ponto de equilíbrio. E por fim o derradeiro livro 'Vazios e Plenitudes - Reflexões e Memórias’, senti uma certa tristeza ao analisar o que passa na cabeça e corpo de uma senhora de 80 anos.

 Foi uma leitura rápido e fácil, mas de grande profundidade, fazendo lembrar os escritos da grande escritora Clarice Lispector. Despir a alma sem medo e de maneira como está no livro chega a ser desesperador ver uma pessoa forte mostrar as preocupações que passa na cabeça e alma e as limitações do corpo de quem já não é mais jovem.

Ao ver a notícia da morte da atriz senti a mesma tristeza ao saber da morte de um parente próximo mesmo sem nunca tê-la visto pessoalmente, conhecendo-a somente através de sua obra.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Vanja Orico, Odete Lara e Maria Della Costa


A memória não consegue recordar onde foi que li ou ouvi que “morre o homem e fica a obra”, e esse ano começou com três mortes de personalidade das artes que admirava muito, Maria Della Costa, Vanja Orico e Odete Lara.

No caso da Maria Della Costa falecida no dia 24 de janeiro aos 89 anos vítima de edema pulmonar agudo gostava especialmente pela atuação no filme ‘Moral em Concordata’ de ano de 1959, sob direção do Fernando de Barros baseado na peça homônima do Abílio Pereira de Almeida. Sua interpretação e beleza nesse filme foi de surpreender.

Vanja Orico conheci desde um dia do longínquo ano de 1992 quando vi o filme ‘O Cangaceiro’ de 1953, direção do lendário Lima Barreto. Esse filme foi a porta de entrada para a paixão pelo cinema brasileiro. Desde então assisti vários filmes brasileiros, li livros, revistas, me interessei pelos seus personagens, passei a frequentar a Cinemateca, Museu da Imagem e Som, Centros Culturais, etc. Tive o prazer de conhecer alguns desses personagens de perto, tais como Mário Audrá, produtor e criador da Cinematográfica Maristela, Carlos Coimbra diretor de cinema, a atriz Vera Nunes e tantos outros inclusive a atriz e cantora Vanja Orico. O encontro ocorreu no ano de 1996 quando ocorreu o lançamento do CD Vanja Orico com participação especial do Quinteto Violado. Junto ao lançamento o MIS-SP fez uma homenagem expondo fotos, revistas e apresentando os filmes que a atriz trabalhou.  Assistir ao filme ‘O Cangaceiro’ na tela grande e com a atriz principal na plateia foi algo único. Mas a surpresa maior não foi essa aconteceu quando apresentaram o filme do diretor Carlos Coimbra ‘Independência ou Morte’, que ao assistir no telão senti um cheiro bom ao virar era a atriz que estava atrás de mim em pé sorrindo. Durante o intervalo conversamos e ela ficou impressionada que eu sendo tão jovem gostava de filmes antigos.

Praticamente na mesma semana indo para o curso de pós-graduação de farmácia clínica, vi na televisão que há no metrô que a estrela Odete Lara falecera aos 85 anos, vítima de infarto quando dormia. Cheguei não acreditar no que lia, liguei meu aparelho celular e acessei a internet em busca de notícias e estava lá a notícia da morte da grande atriz. Recordei de seus filmes e suas biografias. Li os quatros livros em que conta a sua vida, ‘Eu Nua’, ‘Minha Jornada Interior’, ‘Meus Passos em Busca da Paz’ e 'Vazios e Plenitudes- Reflexões e Memórias' e senti um certo aperto no peito como se perdesse uma amiga de longa data.

Felizmente a obra dessas grandes atrizes ficaram para a posteridade para aqueles como eu gosta de ver e rever trabalhos que independente do tempo e espaço continua a admirar pela qualidade de suas interpretes e demais qualidade.

domingo, 25 de maio de 2014

PUÇERA OU O PODER DAS PALAVRAS

Depois de um dia de trabalho voltando para casa me deparei com uma cabine onde havia uma placa com alguns dizeres e uma palavra estava escrito de maneira incorreta: Puçera!
Parei e fiz menção de tirar uma foto e publicar na internet para fazer graça, só que ao ver que a cabine pertencia a um senhor de barba fiquei com vergonha de querer fazer graça com algo tão bobo, que desisti na mesma hora. Afinal erros de português todos cometeram e com que direito tenho eu de julgar a forma como aquele senhor se comunica. Já que vi o erro poderia ter feito uma placa nova e explicar o erro e dar a sugestão de troca. Não o fiz, nem uma coisa e nem outra, afinal nada disso me diz respeito, continuei meu caminho cuidando da minha própria vida, deixando a vida dos outros para lá.
Esse jogo de consciência foi desperto graças ao vídeo que havia recebido dias antes sobre o conto “O Cego e o Publicitário”. Afinal, comunicação é o ato de expressar algo e o outro entender, fácil assim!

O CEGO E O PUBLICITÁRIO

Havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço
de madeira que, escrito com giz branco, dizia:
" Por favor, ajude-me, sou cego ".
 
Um publicitário, da área de criação, que passava em frente a ele,
parou e viu umas poucas moedas no boné.
Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o,
pegou o  giz e escreveu outro anúncio.
Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.

Pela tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola.
Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele
quem reescreveu seu cartaz, sobretudo querendo saber o que havia escrito ali.
O publicitário  respondeu:
" Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras ".
Sorriu e continuou seu caminho.
O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia:

"HOJE É PRIMAVERA EM PARIS E EU NÃO POSSO VÊ-LA"

sexta-feira, 23 de maio de 2014

IMAGINA NA COPA!

Oh frase maldita, que vem martelando em meus ouvidos! Toda vez que acontece algo um anencéfalo profere essa frase idiota como se para expressar preocupação como o Brasil será visto pelos “gringos” e se esse espetáculo do futebol mundial fosse à coisa mais importante do mundo. Afinal é só um torneio de aproximadamente um mês e que daqui a quatro anos será em outro lugar.
Ao ouvir a tão malfadada frase vem outras em minha cabeça – ‘pra morrer basta estar vivo’, ‘país rico é país sem pobreza’, e outras pérolas do gênero, cunhada por algum imbecil que não quer dizer nada e usa frase de efeito como no programa humorístico “Zorra Total”, ‘sem pé nem cabeça’ ficando o ‘samba do crioulo doido’.
Preocupação zero se a Copa será um bom espetáculo, o negócio é usar uma muleta para poder criticar e jogar a culpa pela ineficiência da educação, saúde, transporte e tudo o mais. Não vejo ninguém se dispondo a ajudar uma clínica de repouso de idosos, hospitais, instituições de caridade, só servem para reclamar e criticar.
Conhecendo o brasilário – sei que será necessário feriado nos dias de jogo do Brasil e telão espalhado pela cidade para ver o jogo e talvez algum espetáculo de música para amainar os ânimos e tudo acabar em festa.  
É para terminar cito Nelson Rodrigues:

"O brasileiro não está preparado para ser 'o maior do mundo' em coisa nenhuma. Ser 'o maior do mundo' em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."


"O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será eternamente."